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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sacerdotes

A marca era vagabunda, mas o que importava era o torpor
O momento exato do desligar da mente, do mundo...
De um universo irreal disfarçado de existencial
In loco, mas completamente ausente

O efeito atordoante modela um comportamento elegante
De poder e controle, como um sábio ancião
Transborda conhecimento pelas conversas soltas e sofisticadas

Um artista da oratória, um conquistador da retórica e persuasão
Tendo em sua eloquência à compreensão de todos...
Mesmo com uma subjetiva plateia
Criada por ele ou por um comum interesse transcendental

As mentes enevoadas concluem-se simultaneamente
Poderosos profetas, juízes e filósofos
Construtores de ideologias sociais

Com interesses mundanos pessoais
Conservam uma exuberância imoral 
Com experiência surreal
De bares matinais.

(Crimson)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Teia


Contorcia-se para todos os lados, não havia saída, quanto mais se mexia, mais se enrolava, às teias eram como aço, sabia que era seu fim então parou por um instante. 

Envolto até o pescoço, o ar rareara começou a se lembrar de como tudo ocorrera...

Sempre fora importante, todos o queriam por perto era chamado para qualquer ocasião, bem sucedido com as mulheres e com os engravatados, um sorriso enigmático e perspicaz o acompanhava, com respostas na ponta da língua, resolvia todos os problemas, dos contratos arriscados da firma até o cano quebrado de sua casa! Confiante, esperto, elegante e engraçado...

Na verdade nunca precisou se preocupar com mais de duas questões: quando e onde? O resto era por sua conta! À vida perfeita, o mundo perfeito...

Mas naquele dia o grande enigma o encontrou, desafiando-o e derrotando-o, o mais intrigante era que sabia que tinha a resposta, à justa resposta que lhe apunhalou.

O problema não era sentimental, aliás, essa era sua grande arma, pois nunca tivera sentimentos reais, todos meticulosamente controlados e adestrados. O grande problema era existencial o que dificultava tudo, pois de sua essência nunca desconfiara, sempre acreditou saber exatamente quem era e por que era!

Porém, para seguir tinha uma escolha e no mais simples dos caminhos encontrou o abismo profundo.

Encantou-se por uma felicidade espontânea, imoral e deliciosamente real!

Percebeu que tudo em que acreditava era tão minúsculo que mãos fortes e confiantes não conseguiam segurar uma vida tão frágil.

Finalmente soube que o que importava era seu novo vício, sua riqueza, o tesouro conhecido como LIBERDADE! O problema que isso, não se compra, não se troca nem se ganha com lábia, proezas físicas, intelectuais ou sociais!

Descobriu fatalmente que se conquista em breves e simples momentos e se vai como uma brisa leve e refrescante sem pistas de onde e como encontrá-la.

Olhos melancólicos, mas como nunca, vivos, atentos e por que não esperançosos com esses olhos finalmente descobriu como tudo ocorrerá! E com o ultimo olhar desanuviado enxergou o novo mundo e às teias finalmente o cobriu por completo...

(Crimson)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Serena



Às nuvens bem que tentaram
Mas apenas um filete de luz foi o suficiente
Para rasgar o céu e mostrar derradeira...
Como asas de um anjo, ela se fez esplendida.

Limpando e curando às ranhuras do tempo
O incerto e novo se fez

Não mais havia dor, nem medo...
Tudo era calmo, simples e completo.
Por cinco minutos e não mais...
Todos puderam sorrir

Até mesmo o amargo e incrédulo...
Sim, inclusive eu!  



(Crimson)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Dia

O dia em que depois de horas de reflexão sentada no piso gelado do quintal, deu-se conta que as coisas não eram mais as mesmas do dia de ontem. Surgiram impressões em seu olhar, da menina que hoje já não é mais quem era, apesar de teus olhos não se apagarem de esperança, e as pequenas poções de sonhos ainda borbulharem em seu estômago.
Os tempos passaram, e quem percebeu foram os mesmos velhos nas ruas, e ela já não tenta entender o mundo.
Por um tempo notou as folhas caindo secas das arvores, disse a si mesmo que não desperdiçaria seu tempo precioso e que casa dia seria o melhor dia da sua vida.
Canta alegre pelas ruas, faz desenhos nas nuvens, cantarola, e acredita no novo mundo, mesmo que nem todo mundo...



(Bee Cee)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Canto Morredouro

Vozes contínuas... Trêmulas, roucas
O som suave, reconfortante
Mudara, sorrateiramente!
Lamento louco inconstante

Entoa o murmúrio sombrio
De navegantes abnegados
Que evoca o martírio notório
Entre soldados estonteados

Os gritos vagidos...
Em terras lúgubres
Transforma-se em gracejos líricos
De Deuses silvestres

Musas celestes em cantos lutuosos
Aludem as tormentas...
Em sufrágios impiedosos
O Homem reconforta-se

Em sopros honrosos. 


(Crimson)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Scribere?

Haveria outra finalidade que não expor a dor para fora?
Uma angustação inexplicável, um “não sei quê”,
Que atropela! Uma sensação de afogamento sem água...
Pedra rolando no desfiladeiro?

Não! Talvez nunca o saberei,
Semelhante seria perguntar:
-Haveria resposta sobre o céu ser azul? Ou
Por que os ventos parecem movimentar-se com uma cadência rítmica?

Nas festas de confraternização ela está sempre comigo,
Nas reuniões de família, nos passeios domingo à tarde,
Nas caminhadas crepusculares, ela, a dor está sempre junto! Como um amigo!

Não sei sob qual vereda ela me seduziu, com sua beleza de Vênus...
Só sei que é amiga fiel e está sempre comigo! Recebam meus amigos:
É toda minha dor que entrego aos seus júbilos...


(Felipe Pöe)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

É difícil reconhecer os próprios erros. Mas é mais difícil se desculpar por esses erros, não pelo orgulho teimoso que acompanha a costumas arrogância humana, e sim porque quando se erra, você perde a credibilidade, perdendo a credibilidade se perde o respeito e por sua vez a confiança. Quando a confiança acaba, as desculpas se tornam vagas, sem crédito. É como uma cicatriz, seus erros sempre ficarão marcados não importa quantos acertos possa dar no futuro.

(Bruno)